Governo do Panamá conhece produção de moscas-das-frutas
A República do Panamá é uma grande produtora e exportadora de melão, melancia, pepino e abóbora da América do Sul e Central e possui 80% do seu território livre da praga de mosca-das-frutas, a exemplo da mosca do mediterrâneo, conhecida como moscamed. Porém, em fevereiro de 2009, foi detectada na Província de Darién e nas Províncias ao leste do país a presença da Anastrepha grandis, mosca-da-fruta que ataca a família das cucurbitáceas que tem como espécies melão, melancia, abóbora, pepino, entre outras. O Programa Nacional de Moscas da Fruta desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrícola (MIDA) do Panamá é uma unidade técnica que funciona como um sistema de vigilância sanitária, responsável por organizar e executar todas as atividades referentes à mosca-das-frutas através de Programas de Monitoramento de Pragas. Devido ao aparecimento da Anastrepha já em fase adulta, no Panamá, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) financiou a vinda de três representantes do Governo da Província, Pablo Rodrigues (Coordenador Nacional do Programa de Mosca da Fruta), Jorge Quintana (Coordenador Regional de Sanidade Vegetal) e Enelvia Rujano (Coordenadora Nacional de Emergência de Anastrepha grandis) para conhecer a produção de Anastrepha grandis na Universidade de São Paulo – USP, em São Paulo, o Programa de Monitoramento e Controle da Mosca-das-Frutas, a produção e liberação do macho estéril da Ceratitis capitata, espécie de mosca-da-fruta, desenvolvida pela Moscamed no Vale do São Francisco, e para conhecer as Áreas Livres de Anastrepha grandis nos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. Esta missão tem como objetivo capacitar os técnicos do MIDA para identificar todos os estágios de desenvolvimento da Anastrepha grandis, desde a fase de ovo, larva, pupa, até a adulta. Para que dessa forma, eles consigam perceber a ocorrência desta praga em qualquer estágio de maturação e possam identificar as diferentes espécies de mosca-das-frutas que são capturadas nas armadilhas. “A oportunidade de ver as moscas em plena atividade, como a copula, a alimentação e a oviposição é fundamental, porque adquirimos conhecimento técnico de como procurar a Anastrepha grandis em campo. Toda essa experiência é muito importante, inclusive, porque eu só conhecia a Anastrepha em fase adulta e morta nas armadilhas”, disse Enelvia. A produção de Anastrepha grandis no Brasil é coordenada pela Drª Keiko Uramoto, no Laboratório de Moscas das Frutas, do Instituto de Biociências, Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da USP. Nas cidades de Fortaleza (CE) e de Mossoró (RN), os técnicos do Governo Nacional do Panamá visitarão as Áreas Livres de Pragas/ALP do cultivo de melão para exportação e a Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), em Mossoró (RN). A missão dos técnicos do Ministério de Desenvolvimento Agrícola (MIDA), da Província do Panamá, ao Brasil acontece entre os dias 18 e 25 deste mês, e foi coordenada pela Moscamed.
Fiscal da Adagro realiza mestrado em parceria com Moscamed Brasil

O Fiscal da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro) e mestrando pela Universidade Federal de Viçosa/MG, Paulo França, escolheu a Biofábrica Moscamed Brasil (BMB) para fundamentar a pesquisa de sua tese de Mestrado Profissional em Defesa Sanitária Vegetal, por meio do Programa de Armadilhamento e Controle (PAC) de moscas-das–frutas, que será a principal base de seu trabalho. A partir dos dados de 2009 a 2014, coletados na Moscamed, o fiscal analisará historicamente o monitoramento de Ceratitis capitata em culturas de manga, no município de Petrolina. O objetivo é correlacionar os fatores abióticos (temperatura, quantidade de chuva por unidade de área), bióticos (plantas hospedeiras disponíveis), as práticas de controle atuais adotadas no combate à praga, e às variações sazonais na população das moscas-das-frutas. Desde 2005, a Moscamed realiza monitoramento ambientalmente seguro nas culturas de manga, uva, melão, maçã, papaia, goiaba e acerola. É a única instituição habilitada pela Adagro para monitorar os pomares em Petrolina. Para a Superintendente da Moscamed Brasil, Carla Santos, o compartilhamento de conhecimentos com pesquisadores de outras instituições é positivo. “Há sempre um benefício no intercâmbio de experiências entre cientistas sejam eles de instituições nacionais ou internacionais. A Moscamed está aberta para novos saberes e novas tecnologias”, afirma Santos. Regina Sugayama, orientadora do trabalho, considera que a análise permitirá um conhecimento detalhado de como a população de moscas-das-frutas se distribui espacial e temporalmente no Vale. “Usualmente, é utilizado o índice MAD, ou seja, moscas/armadilha/dia, para calcular a densidade da população numa determinada propriedade ao longo da safra. Este é o indicador adotado no mundo todo. No projeto do Paulo, serão utilizadas outras análises além do MAD para entender como a população de Ceratitis capitata vem se comportando ao longo do tempo e no espaço. Esse conhecimento é fundamental para se definir estratégias de combate à praga”, elucida Regina. O mestrado profissional é um novo modelo de tese que aborda a técnica e exige estudos aplicados que serão aproveitados no mercado de trabalho. A Gerente de Defesa e Inspeção Vegetal da ADAGRO, Raquel Miranda, afirma que o resultado das pesquisas de Paulo França terá grande importância na execução de novas atividades no controle de pragas. “Com a pesquisa de França, a Adagro terá informações com as quais será possível desenvolver, por exemplo, uma planilha da flutuação populacional da praga relacionada à época do ano, ao clima, à vegetação e à precipitação pluviométrica, dados ainda não confrontados e que são importantes para melhorar a política fitossanitária do Vale”, explica Miranda. Ascom Moscamed